Dia da Libras: surdo e intérprete mostram os dois lados da inclusão e por que aprender sinais importa

Dia da Libras: surdo e intérprete mostram os dois lados da inclusão em Marília Imagine acordar em um mundo onde ninguém consegue entender o que você diz. E...

Dia da Libras: surdo e intérprete mostram os dois lados da inclusão e por que aprender sinais importa
Dia da Libras: surdo e intérprete mostram os dois lados da inclusão e por que aprender sinais importa (Foto: Reprodução)

Dia da Libras: surdo e intérprete mostram os dois lados da inclusão em Marília Imagine acordar em um mundo onde ninguém consegue entender o que você diz. Explicar uma dor ao médico, resolver algo no banco ou comprar pão se tornam desafios quando a comunicação esbarra em uma barreira invisível. Essa é a realidade enfrentada por muitas pessoas surdas quando a sociedade não está preparada para se comunicar com elas. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Para dar visibilidade a essa luta, é celebrado nesta sexta-feira (24) o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), data que marca o reconhecimento oficial dessa forma de comunicação no país e reforça a importância da inclusão. O g1 conversou com um surdo e um intérprete, que mostram os dois lados da inclusão e destacam por que aprender sinais é fundamental. Dia da Libras: surdo e intérprete falam sobre inclusão em Marília (SP) Arquivo Pessoal Quem nunca ouviu, mas aprendeu a escutar com os olhos Em Marília (SP), o pedagogo Diogo Leonardo, de 35 anos, surdo desde o nascimento, afirma que a data representa conquista, mas também reflexão sobre acessibilidade e respeito. Formado em Pedagogia pela Unesp e em três cursos técnicos pela Etec, ele atualmente cursa especialização em Higiene Ocupacional e trabalha na área de Segurança do Trabalho como assistente administrativo em Saúde e Segurança. Ao longo da trajetória acadêmica e profissional, enfrentou barreiras como falta de intérpretes, materiais pouco adaptados e dificuldades de comunicação. “O maior desafio foi a acessibilidade, principalmente a falta de intérpretes em alguns momentos e materiais nem sempre adaptados. O ensino remoto também foi uma grande barreira. Também enfrentei desafios na comunicação, mas consegui superar com esforço e dedicação”, contou ao g1. Diogo, de Marília (SP), é formado, atua em segurança do trabalho e destaca inclusão Arquivo Pessoal Filho de pais ouvintes e irmão de uma mulher também surda, Diogo foi incentivado desde cedo a desenvolver leitura labial e frequentou escola regular. Oralizado, só aprendeu Libras aos 18 anos, experiência que, segundo ele, reforçou a importância da comunicação inclusiva. “No início não foi fácil aprender e levei um tempo para me adaptar. Mesmo assim, essa experiência me fez valorizar ainda mais a importância da acessibilidade e da comunicação inclusiva”, revela. Amor e identidade A comunicação em Libras é a base de tudo para Diogo, inclusive para o amor. No tempo livre, entre seus hobbies, como pedalar, ir à igreja e torcer fielmente para o Marília Atlético Clube, uma nova paixão surgiu e deu início a um capítulo especial em sua vida. Recentemente, ele pediu Ana Carolina em namoro no Mineirão, em Belo Horizonte, durante um jogo do Cruzeiro, time do coração dela. Ana também é surda e professora de Libras. Diogo pediu namorada em estádio durante jogo no Mineirão Arquivo Pessoal Da infância até hoje, ele avalia que houve avanços na acessibilidade, no acesso à informação e no respeito à comunidade surda, mas ressalta que ainda há desafios. “Gostaria que entendessem que a Libras é uma língua completa, com estrutura própria e fundamental para a comunicação da comunidade surda. A inclusão começa com respeito, paciência e vontade de se comunicar”, diz. Dia da Libras: histórias mostram importância da Libras em Marília Arquivo Pessoal Quem sempre ouviu e aprendeu a escutar com as mãos Na educação, intérpretes têm papel fundamental para garantir acessibilidade em Libras a quem precisa. Gabriel Andreasi, de Marília, atua há 10 anos como intérprete e conta que o interesse pela profissão surgiu ainda na infância, influenciado por dois tios maternos surdos, com quem buscava se comunicar do próprio jeito. Ao perceber as dificuldades na comunicação entre surdos e ouvintes, decidiu seguir a profissão para fazer a ponte entre esses dois mundos e contribuir com a comunidade surda. Intérprete de Marília há 10 anos faz ponte entre surdos e ouvintes Arquivo Pessoal Hoje, Gabriel trabalha em uma escola estadual de Marília e afirma que a mediação do intérprete é essencial para garantir o acesso dos estudantes surdos ao aprendizado. “Quando trabalhei com uma aluna surda do 6º ano que ainda não era alfabetizada, um dia ela escreveu meu nome na capa do caderno e desenhou vários corações em volta. Naquele momento, eu me emocionei demais, porque ali não era só um gesto, era um vínculo, uma conexão. E é isso que dá sentido para tudo”, relembra. Apesar dos avanços, ele avalia que ainda há barreiras na inclusão escolar e falta de profissionais qualificados. “Um dos principais problemas que vejo hoje é a falta de profissionais realmente preparados. Muitos não dominam a Libras, não têm fluência e, principalmente, não têm vivência com a comunidade surda. E isso faz toda a diferença”, pontua. Intérprete de Libras em Marília transformou vivência com tios surdos em profissão Arquivo Pessoal Além das salas de aula Além do ambiente escolar, Gabriel também atua em eventos e shows, levando acessibilidade por meio da interpretação em Libras. No canto do palco, enquanto a música embala o público, outro espetáculo acontece simultaneamente: mãos em movimento, expressões que traduzem sentimentos e uma língua que vai além das palavras. Segundo ele, interpretar músicas exige mais do que conhecer Libras. É preciso estudar o repertório, compreender a mensagem da canção e transmitir também a emoção. “Quando estamos ali, junto com o artista, a gente não está só traduzindo, a gente vive aquele momento. Sentimos a energia do público, a emoção do show, e tudo isso precisa aparecer na nossa sinalização, nas expressões faciais e corporais. Cada detalhe importa, porque é assim que a emoção chega até a pessoa surda”, comenta. Intérprete de Marília usa Libras para fazer ponte entre surdos e ouvintes Arquivo Pessoal Reconhecimento da Libras A Libras foi reconhecida oficialmente como meio legal de comunicação e expressão no Brasil em 2002, com a Lei nº 10.436. Diferentemente do que muitos pensam, não é universal, cada país possui sua própria língua de sinais. Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 2,6 milhões de pessoas com deficiência auditiva. Nas principais cidades do centro-oeste paulista, são mais de 12 mil, segundo o Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Os números refletem o desafio diário da inclusão, especialmente nas escolas. Cidades da região contam com dezenas de alunos com deficiência auditiva nas escolas Arquivo Pessoal Mais de 12 mil pessoas com deficiência auditiva no centro-oeste paulista Arquivo Pessoal Onde aprender Libras Para quem quer aprender Libras, o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) oferece curso gratuito e online, com níveis básico, intermediário e avançado. Em Marília, a Central de Libras, vinculada à Secretaria de Assistência Social e Cidadania, oferece atendimento presencial e por videochamada para facilitar o acesso de pessoas surdas aos serviços públicos. O atendimento ocorre presencialmente ou por videochamada, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelos telefones: (14) 98195-0272 (manhã) e (14) 98195-0252 (tarde). Dia da Libras reforça que inclusão começa com disposição para se comunicar INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos)/Reprodução Initial plugin text * Sob a supervisão de Mariana Bonora e Luís Ricardo da Silva. Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

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